02/08/2011

Bisfenol A e obesidade

Uma das condutas mais adotadas para a redução do peso corporal é a associação de alimentação saudável aliada à prática de exercícios físicos e ao controle do estresse.  Porém não são raros os casos de pacientes que não respondem satisfatoriamente a essas intervenções. A resistência na redução de gordura corporal, enfrentada por muitos pacientes, pode ser conseqüência não só do estilo de vida, mas da exposição a toxinas ambientais que alteram os mecanismos chaves no controle de peso corporal.

Recente artigo de 2011 publicado na Neurotoxicology and Teratology  teve como objetivo verificar se a exposição perinatal ao Bisfenol A (BPA) em doses ambientais poderia influenciar a preferência por doces em machos e fêmeas e, conseqüentemente, levar a alterações no peso corporal. Os animais foram expostos a diferentes doses de BPA e testados com sacarina e sacarose em diferentes concentrações. Como conclusão, os pesquisadores verificaram que a exposição perinatal a uma baixa dose de BPA em ratos machos poderia aumentar a preferência por ingestão de alimentos doces quando na vida adulta.
Este dado interessante evidencia a importância da atuação dos componetes tóxicos presentes no ambiente e nos alimentos, sua  ação no organismo e principalmete sua relação com a obesidade.  

O Bisfenol A, considerado um disruptor endócrino, é um produto químico que em combinação com outros compostos químicos é utilizado para fabricar plásticos e resinas. Faz parte muitos materiais utilizados em embalagens alimentares, como o policarbonato plástico (um tipo de plástico rígido e transparente) usado em revestimentos internos de latas e tampas de metal para evitar a ferrugem, no recobrimento de garrafas e garrafões reutilizáveis de água, mamadeiras de bebês, selantes dentais, em embalagens plásticas para acondicionar alimentos na geladeira, copos infantis, materiais médicos e dentários, copos plásticos, entre outros.  É o monômero mais comum entre os policarbonatos empregados em embalagens de alimentos.


O BPA pode migrar para os alimentos e para a água, especialmente quando aquecidos e, através deste processo, ocorre a contaminação. O BPA migra especialmente para os alimentos gordurosos e por ser um composto lipossolúvel, acumula-se com facilidade no tecido adiposo. No caso de aquecimento do plástico, a contaminação por BPA é ainda maior. Além de se depositar com facilidade no tecido adiposo, pode induzir a diferenciação adipocitária, potencializar o estado inflamatório da obesidade e, ainda promover aterosclerose.

Além do BPA, são conhecidas outros disruptores endócrinos, também denominados obesogênicos ambientais ou xenobióticos, que interagem com receptores hormonais alterando a sinalização celular. São os ftalatos, percloratos, pesticida DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano), Bifenis policlorados (PCB´s), poliestireno (PS), dioxinas, metais pesados, etc. Eles podem causar um desequilíbrio funcional no organismo interferindo:
- na regulação hormonal;
- nos mecanismos neurorregulatórios do apetite e da saciedade;
- nos mecanismos imunorregulatórios através do estímulo de citocinas pró-inflamatórias;
- na função mitocondrial danificando a atividade de importantes enzimas e;
- no estresse oxidativo, elevando a produção de espécies reativas de oxigênio.
Resumindo: pode causar, além da obesidade, câncer, disfunções sexuais, hiperatividade, autismo, doenças cardíacas, diabetes, problemas de tireóide, entre outros.

Podemos minimizar a exposição ao Bisfenol A através de medidas básicas no cotidiano.  
Evitar consumo de alimentos e bebidas armazenados em embalagens plásticas; não conservar alimentos em recipientes plásticos, principalmente os quentes; evitar utilização de filmes plásticos em contato direto com o alimento. Essas são medidas simples, que devem ser praticadas principalmente durante a gravidez.


XU, X.; TAN, L.; HIMI, T. Changed preference for sweet taste in adulthood induced by perinatal exposure to bisphenol A-A probable link to overweight and obesity. Neurotox Teratol;33(4):458-63, 2011.
 

28/07/2011

As 4 garrafas da atualidade!

Recebi um email com o título: A vida resume-se em 4 garrafas...

Achei fantástico, pois retrata bem a realidade atual.



1. Cada vez mais as crianças são introduzidas precocemente ao leite de vaca em substituição do leite materno. Diversos estudos mostram a relação do leite e derivados com processos alérgicos por diversos mecanismos imunológicos, ou seja, alergias mediadas por IgE, clássica e normalmente com reações imediatas. Existe também a questão da biodisponibilidade de cálcio que é baixa, a alteração da permeabilidade intestinal, promoção de disbiose, liberação de substâncias pró-inflamatórias e inúmeros ouros problemas relacionados. Falar de leite é assunto para um livro inteiro, pois há muitas patologias relacionadas com o consumo freqüente dos alérgenos do leite. Uma sugestão é ler o livro: “Leite: Alimento ou Veneno” do escritor Robert Cohen. 

2. Refrigerante é outra problemática na sociedade atual. Completamente artificial e, embora a fórmula exata seja um segredo industrial protegido por várias patentes, é um produto rico em açúcar, aromatizantes naturais, água gaseificada, cafeína, extrato de Noz de cola, corante caramelo IV, acidulante Ácido Fosfórico (INS 338) entre outros. A versão Light  é um pouco pior. São os mesmos ingredientes mais os edulcorantes artificiais: aspartame  e acessulfame de potássio, conservador benzoato de sódio e regulador de acidez citrato de sódio. Já a Coca-Zero, se diferencia da Light pelo acréscimo de ciclamato de sódio, além dos outros edulcorantes acessulfame de potássio e aspartame. Quando nos preocupamos com a nutrição celular, nos damos conta da presença de tantos produtos com fatores antinutricionais, que competem pela absorção com os nutrientes, ou mesmo aumentam a excreção urinária e fecal destes.

3. Todas as bebidas alcoólicas são altamente calóricas (especialmente as destiladas) e, além disso, roubam muitos nutrientes do organismo, como vitaminas e minerais. O consumo excessivo do álcool está relacionado com o envelhecimento celular; redução da produção de muco no estômago, o que favorece o desenvolvimento de gastrite/úlcera; geração de radicais livres; degeneração hepática entre outros. O fígado é o nosso filtro, órgão responsável pela destoxificação de xenobióticos (drogas, medicamentos e outras substâncias químicas).  

Como tudo na vida, vale o preceito da moderação e do bom-senso! A alimentação é um dos fatores comportamentais que mais influencia a nossa qualidade de vida e a falta de proporção entre os nutrientes essenciais promove o desenvolvimento de problemas crônicos. Caso não sejam tratados adequadamente, resultarão em desequilíbrios físicos, mentais, emocionais e estruturais.

26/07/2011

Manteiga faz mal, margarina faz bem?

Mitos sobre alimentação 5


Pelo fato de não conter colesterol, as pessoas preferem a margarina à manteiga. Porém, o fato de não conter colesterol não faz da margarina um produto mais saudável que a manteiga.

 A margarina é uma gordura de origem vegetal que precisa ser hidrogenada artificialmente para ficar sólida. E nesse processo há formação de ácido graxo trans, que é altamente prejudicial e tóxico, podendo inclusive aumentar o colesterol. O processo de hidrogenação confere mais firmeza ao produto, alterando a composição original do óleo vegetal. Ocorre alteração na consistência, aparência, volume, sabor e cheiro. O ranço, por exemplo, ocorre mais rapidamente nas gorduras insaturadas e a hidrogenação confere à margarina maior tempo de conservação. A margarina contém ainda elementos emulsificantes, como lecitina, mono e diglicerídeos; agentes conservadores, como o ácido benzóico e benzoatos; antioxidantes; corantes vegetais; aromatizantes. O teor de ácido graxo da margarina é diferente do da manteiga. Do ponto de vista nutricional, é altamente indesejável!!!  

A manteiga, ao contrário da margarina, é pobre em ácido graxo trans, porém contém ácidos graxos saturados. Apesar disso, a manteiga possui ácido butírico, substância que ajuda na prevenção do câncer intestinal e não contém gordura trans, presente nas frituras comercializadas, produtos de panificação, lanches salgados. A manteiga é diferente dos outros derivados do leite. Contém entre 81 a 84% da gordura do leite, uma pequena quantidade de sais minerais e menos de 1% de proteínas. Por isso, quando se restringe o leite de derivados de pacientes que não toleram a proteína do leite (e não a lactose!!) a manteiga é liberada.

É possível que haja associação entre o consumo de gordura trans, dislipidemias, diabetes tipo 2 e maior risco de doenças cardíacas. Além disso, a gordura trans está envolvida nos problemas intestinais, hormonais, diminuição da imunidade, ação pró-inflamatória e, com isso, o surgimento de cólicas menstruais, dores nas juntas, nas costas, dor de cabeça, enxaquecas entre outros.

Os níveis elevados de gorduras saturadas e trans na alimentação atual aumentam a necessidade de gorduras essenciais (ômega-3, ômega-6), podendo explicar o aumento de doenças associadas à deficiência desses ácidos graxos.  A gordura trans ocupa o mesmo espaço das gorduras essenciais, mas não exercem a mesma função, danificando as membranas celulares.  

Gordura trans está presente não só na margarina, mas também em hambúrgueres, batatas fritas, salgadinhos, molhos prontos, sorvetes, recheios de bolos, caldo de carne, tortas, produtos industrializados como pizzas, lasanhas e etc.

Uma alternativa para a substituição da margarina poderia ser a pasta de tofu feita com ervas (ou azeitonas, tomate seco, manjericão); o azeite de oliva extra-virgem e o óleo de côco extra-virgem. É importante ter em mente que cada caso é um caso. Se a pessoa não tem problema de dislipidemia, pode até utilizar a manteiga, sem exagero. Ou se não é alérgica a soja, pode consumir o tofu temperado.  

Dica: Que tal aprender a ler rótulo dos alimentos? O que acontece muitas vezes com os rótulos dos alimentos é que a informação nutricional é dada por porção, que geralmente é pequena (por exemplo: 1 colher de sopa ou 10g de algum produto) e a quantidade de gordura trans acaba não aparecendo no rótulo. Os alimentos que não atingem o valor mínimo estabelecido - 0, 2 grama por 100 gramas - são considerados livres pela lei de rotulagem. Mas se você ler atentamente encontrará nos ingredientes a gordura hidrogenada ou parcialmente hidrogenada.

Coloco abaixo o rótulo de uma Sopa sabor Ervilha com Bacon (industrializada) e os ingredientes.


Ingredientes no rótulo: mistura de macarrão, farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, amido, sal, gordura vegetal hidrogenada, frango, vegetais desidratados, proteína hidrolisada de soja, especiarias, realçador glutamato monossódico e inosinato dissodico. Contém glúten.

O excesso de colesterol, gordura saturada e gorduras trans são três coisas diferentes - e delas, a trans é a pior em termos de risco para a saúde.

20/07/2011

Abacate faz mal?

Mitos sobre alimentação 4




Em países como Inglaterra, Alemanha, México, Chile, França, e no próprio Oriente Médio, o abacate é consumido como um autêntico alimento, principalmente sob a forma de saladas, temperado com sal, azeite e condimentos diversos. No Brasil, é consumido sob a forma de sobremesa, cremes ou vitaminas.

Esta fruta, por muitos anos condenada por médicos e nutricionistas, apresenta alta quantidade de ácido graxo monoinsaturado, o ácido oléico. Os ácidos graxos monoinsaturados têm sido amplamente estudados, demonstrando efeitos importantes na prevenção e tratamento das dislipidemias, ligadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O óleo de abacate assemelha-se muito com o óleo de oliva pela similaridade de suas propriedades físico-químicas e, principalmente, pela composição do ácido graxo oléico, presente no azeite de oliva.

O abacate apresenta também componentes biologicamente ativos como os fitoesteróis, substâncias capazes de inibir a absorção e síntese de colesterol e até mesmo prevenir o câncer.  O beta-sitosterol é um fitoesterol com estrutura química parecida com a do colesterol e atua na modulação do cortisol por equilibrar a razão cortisol/DHEA, especialmente após o exercício.

Assim como o abacate, o Avocado (outra variedade) apresenta na sua composição (além do ácido oléico), vitaminas A, C, E, B6, minerais como fósforo, potássio, magnésio, coenzima Q10 (importante componente da fosforilação oxidativa da mitocôndria) além de conter, em média, 76mg/100g de beta-sitosterol. Além da ação dos fitoesteróis na redução dos níveis plasmáticos de colesterol total e LDL – colesterol há estudos que evidenciam sua ação antiinflamatória, imunomoduladora e hipoglicêmica.

O que muitas vezes acontece com a população é a restrição de gorduras e sua substituição por carboidratos como sacarose e frutose que, em grandes concentrações, pode levar a hipertrigliceridemia, responsável por disfunções vasculares; ao estresse oxidativo e alterações no metabolismo energético cardíaco. Estudo com pacientes diabéticos e dieta contendo abacate diminuiu os níveis de glicemia.

A sugestão que deixo é usar o abacate em saladas, fazer molhos, usar como acompanhamento de carnes e até mesmo em sucos. Quem não conhece o famoso guacamole! Sugiro EVITAR seu uso com leite condensado, creme de leite, açúcar. Isso sim faz do abacate um alimento calórico!!


Curiosidade: O beta-sitosterol do abacate pode atuar no combate ao estresse por meio da redução dos níveis de cortisol e na regulação do apetite, contribuindo até com a perda de peso.  

Outras fontes de beta-sitosterol: oleaginosas e unha de gato (cat´s claw).

Mais estudos são necessários para evidenciar o potencial terapêutico desta fruta no controle das dislipidemias e como alternativa às outras fontes conhecidas de ácido oléico

Cortisol é um hormônio corticosteróide produzido pela glândula supra-renal que está envolvido na resposta ao estresse entre outros.

SOARES, H.F.; ITO, M.K. O ácido graxo monoinsaturado do abacate no controle das dislipidemias. Revista Ciência Médica, 9(2):47-51, 2000.
OSTLUND, R.E.; RACETTE, S.B.; STENSON, W.F. Inhibition of cholesterol absorption by phytosterol-replete wheat germ compared with phytosterol-depleted wheat germ. Am J Clin Nutr 77(6):1385-1589, 2003.
MAGUIRE, L.S.; O´SULLIVAN, S.M.; GALVIN, K. et al. Fatty acid profile, tocopherol, squalene and phytoesterol content of walnuts, almonds, peanuts, hazelnuts and the macadamia nut. Int j Food Sci Nutr; 55(3);171-8, 2004.

18/07/2011

Toda gordura é ruim?

Mitos sobre alimentação 3

Achar que toda gordura é ruim.

As gorduras são fonte de energia concentrada, atuam como transportadores das vitaminas lipossolúveis, exercem importante papel na manutenção, função e integridade das membranas celulares, formação de hormônios e na transmissão de impulsos nervosos.
 O colesterol é matéria-prima para a elaboração de sais biliares e hormônios esteróides, é componente essencial das membranas celulares sendo o principal componente do cérebro e células nervosas.  O colesterol pode ser de origem endógena e exógena. O colesterol está presente somente em alimentos de origem animal. Fique atento com os óleos vegetais que dizem que são isentos de colesterol.

As gorduras saturadas são sólidas à temperatura ambiente, como a gordura de origem animal, presente nas carnes, nata, creme de leite, banha, toucinho, bacon, manteiga. As gorduras insaturadas, líquidas na mesma temperatura, estão presentes mais em alimentos de origem vegetal e são divididas em monoinsaturadas (ômega-9) e poliinsaturadas (ômega-3 e ômega-6).

 O ômega-3 também está presente em peixes de águas frias e salgadas como a sardinha, salmão, arenque, cavala. O ômega-6 está presente nos óleos vegetais como o de soja, milho, girassol, algodão, amendoim. Tanto o ácido graxo ômega-3 quanto o ômega-6 são necessários para biossíntese de eicosanóides (prostaglandinas, tromboxanos, leucotrienos). O ômega-9 (ácido oléico) está presente em oleaginosas, sementes e óleo de oliva. Já o ômega-7 está presente nas sementes e óleo de macadâmia. 

 Os ácidos graxos ômega-3 e seus derivados EPA (ácido eicosapentaenóico) e DHA (ácido docosaexaenóico) são importantes na prevenção de doenças coronarianas, hipertensão, diabetes, artrite reumatóide, doenças auto-imunes e inflamatórias, câncer, depressão etc.

 O óleo de linhaça é rico nos três ácidos graxos citados acima (ômega-3, 6 e 9), porém a fonte de ômega-3 está na forma vegetal de ácido alfa-linolênico, que depois será transformado no organismo nos ácidos graxos EPA e DHA, que também vêm dos peixes.  

 A gordura trans é a gordura hidrogenada, a grande vilã. Ocorre adição de hidrogênio aos óleos vegetais líquidos para que se tornem semi-sólidos e mais estáveis. O consumo crônico de gordura trans e de óleos vegetais que fornecem alta quantidade de ômega-6 contribui para um estado inflamatório que desequilibrará o mecanismo da insulina, levando ao diabetes tipo 2, dislipidemias e risco de doenças cardiovasculares, aumentando a propensão de agregação de plaquetas nas paredes internas das artérias. As fontes principais de gordura trans são as margarinas, gordura vegetal hidrogenada, frituras comercializadas, produtos de panificação, lanches salgados, sorvetes, bolachas recheada, biscoitos salgados, produtos congelados, etc.  

 Nossa dieta, tipicamente Ocidental, contém uma quantidade excessiva de ácidos graxos saturados, trans e poliinsaturados da série ômega-6, enquanto é deficiente em ácidos graxos da série ômega-3 e ômega-9. Uma alimentação rica em ácidos graxos ômega-3 e ômega-9 é uma alimentação antiinflamatória com ação sobre a melhora da sensibilidade à insulina nos tecidos muscular, hepático e adiposo, ação na hipertrigliceridemia, diabetes, obesidade, câncer, desordens de pele, prevenção do câncer e depressão. Já os ácidos graxos trans inibem a utilização pelo organismo dos ácidos graxos ômega-3, 6 e 9, por ocuparem o mesmo espaço e não exercerem as mesmas funções, danificando as membranas celulares.

As dietas ocidentais são consideradas potencialmente inflamatórias devido ao seu conteúdo elevado de ácidos graxos ômega-6, em detrimento dos ácidos graxos ômega-3. Atualmente, a relação ômega-6/ômega-3 é de 15:1, podendo ser até maior. Segundo a recomendação das DRI´s de macronutrientes, uma relação adequada é de 1:1. Porém a Organização Mundial de Saúde recomenda uma relação de 5:1 a 10:1.  

Portanto, aliado a um estilo de vida saudável, os ácidos graxos essenciais ômega-3, ômega-6 e ômega-9 são utilizados na prevenção e tratamento de diversos problemas de saúde. Devemos ficar atentos ao tipo de alimento e ao tipo de gordura que ingerimos.


Curiosidade: você sabia que a gordura vicia assim como as drogas ilícitas como cocaína e heroína? Isso ocorre pois drogas como a cocaína ou alimentos gordurosos estimulam a liberação de dopamina. Com ela em excesso, o organismo se defende reduzindo o número de receptores para dopamina. Após a redução dos receptores, o organismo fica menos sensível, ou seja, necessita de quantidades de gordura cada vez maiores para que o cérebro se sinta saciado. Se a redução nos receptores continuar, o vício se instala.

JOHNSON, P.M.; KENNY, P.J. Dopamine D2 receptors in addiction-like reward dysfunction and compulsive eating in obese rats. Nature Neuroscience; 13:635-641, 2010.
CARREIRO, D.M. Entendendo a Importância do Processo Alimentar – 2 Edição Edição. São Paulo, SP, 2007.

12/07/2011

Ovo aumenta o colesterol?

Mitos sobre alimentação 2 



Por muito tempo o ovo foi considerado grande causador de doenças cardiovasculares, associado com o excesso de gordura, colesterol e calorias da dieta americana. Durante esse tempo, com o objetivo de reduzir o risco cardíaco, houve a recomendação para se limitar a ingestão de ovo.  Porém há estudos que mostram que o ovo não está associado com aumento do colesterol sérico.

 O colesterol é uma substância importante no nosso organismo, encontrada em todas as membranas das células, atuando na síntese dos hormônios testosterona, estrógenos, cortisol e vitamina D. O colesterol presente no sangue é uma somatória do colesterol endógeno e exógeno. O colesterol endógeno contribui com aproximadamente 70% do total e o exógeno (adquirido através da alimentação) com aproximadamente 30%. A fração LDL-colesterol é a fração conhecida como “ruim” e a HDL-colesterol conhecida como a “boa”. O que não pode haver é a oxidação da fração LDL-colesterol, que contribui para a formação da placa aterosclerótica e para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

O ovo é uma excelente fonte de importantes nutrientes: proteína de alto valor biológico, vitaminas (B2, B6, B9, B12, A, D, E, K, colina), minerais (zinco, cálcio, selênio, fósforo, ferro), aminoácidos e lecitina. 

A colina, que é um membro do grupo das vitaminas do complexo B hidrossolúveis e está presente na gema do ovo, tem atividade neurológica, atuando na memória, intelectualidade, na saúde óssea, desenvolvimento fetal, prevenção de Alzheimer e câncer. Outras fontes de colina: semente de mostarda, germe de trigo tostado, lecitina de soja, couve-flor, brócolis. A lecitina também encontrada na gema produz quatros tipos de fosfolipídios: fosfatidiletanolamina, fosfatidilserina, fosfatidilcolina e fosfatidilinositol que atuam na melhora da memória, depressão, distúrbios de atenção, ansiedade e agressividade.

Estudo de 2008 realizado com 28 homens com sobrepeso evidenciou que dieta restrita em carboidratos e acrescida de ovos diminuiu a concentração de proteína-C reativa (marcador inflamatório) e aumentou a concentração de adiponectina plasmática (hormônio peptídico antiinflamatório e antiaterogênico) quando comparado ao grupo que recebeu dieta restrita em carboidratos e sem ovos. O trabalho evidenciou papel dos ovos na elevação da concentração de HDL-c e a atividade antioxidante e antiinflamatória da luteína na redução da inflamação.  

O que NÃO deve acontecer é consumir ovo FRITO. Ovo caipira é o recomendado. São mais resistentes à salmonela e são mais nutritivos. Possuem seis vezes mais betacaroteno e três vezes mais vitamina A que o ovo comum. O melhor é comer ovo caipira cozido, quente ou pochê.
O ovo deve fazer parte da dieta da maioria da população, com exceção daqueles que apresentam alguma intolerância ou alergia individual.

Curiosidade 1: Você sabia que na clara do ovo contém albumina, uma proteína de difícil digestão?
Curiosidade 2: O consumo de substâncias bioativas antioxidantes e compostos fenólicos atua na diminuição da oxidação da LDL-colesterol.

Joseph, C.; Ratliff, J.C.; Mutungi, G.; Puglisi, M.J. Eggs modulate the inflammatory response to carbohydrate restricted diets in overweight men. Nutrition & Metabolism; 5:6, 2008.

11/07/2011

Adoçante não engorda?

Preparei uma seqüência de posts para falar sobre alguns mitos da alimentação. Alimentos bons, outros nem tanto. Situações boas, outras que poderiam melhorar.  


Mitos sobre alimentação 1

  Usar adoçante por achar que não engorda


Classificados como sintéticos (aspartame, sacarina, ciclamato, acessulfame-K e sucralose) e ainda como edulcorantes naturais (frutose, manitol, sorbitol, estévia e xilitol) possuem uma grande capacidade de reduzir a densidade energética de bebidas, chegando a zero caloria, o que é menos fácil de se alcançar com alimentos sólidos ou semi-sólidos. Os adoçantes se ligam aos receptores para o sabor doce na língua e provocam uma produção de dopamina (neurotransmissor cerebral que atua promovendo, entre outros efeitos, a sensação de prazer) que dura pouco mais de alguns segundos, enganando o organismo. Já a sacarose, por estimular a produção de insulina, pode levar a uma liberação mais duradoura e cumulativa de dopamina. Porém dietas ricas em sacarose podem levar à resistência a insulina e leptina no hipotálamo, bloqueando os sinais fisiológicos dos hormônios da saciedade. A frutose também é considerada uma toxina ambiental. Alguns pesquisadores evidenciaram que a ingestão de frutose foi considerada um fator de risco para doença renal.

Outra consideração a fazer é que os rótulos dos alimentos não informam corretamente ao consumidor a quantidade de adoçantes artificiais presentes nesses produtos, o que impossibilita saber se a ingestão diária dos edulcorantes estaria sendo excessiva ou não e se a saúde do consumidor estaria em risco.  Os adoçantes artificiais como o ciclamato e a sacarina possuem altas doses de sódio que, em excesso, podem causar retenção de líquidos e aumentar a pressão sanguínea.

Se a energia é removida da dieta substituindo o açúcar pelo adoçante, o organismo recorre a um sistema de compensação comendo mais em ocasiões seguintes. Desta maneira, estudos mostram que os adoçantes podem contribuir ainda mais para o desenvolvimento da obesidade.

Gosto de ressaltar que produtos artificiais podem não contribuir para uma boa saúde. Atuam como xenobióticos e contribuem ainda mais para o ganho de peso sobrecarregando o sistema hepático de destoxificação, interferem na função da tireóide e no metabolismo energético, desregulam os mecanismos de fome-saciedade, são cancerígenos entre outros.

A solução seria reduzir a utilização de açúcares e adoçantes artificiais em bebidas, bem como a ingestão de bebidas industrializadas já adoçadas. Com isso, passamos a educar nosso paladar e a sentir o sabor do alimento antes de adicionar os edulcorantes.

Através de uma reeducação alimentar adequada pode-se reduzir o consumo de alimentos adoçados artificialmente, evitar possível ganho de peso e com isso, garantir uma melhora na qualidade de vida.

Curiosidade: Você sabia que a sucralose, adoçante derivado da cana-de-açúcar pode ser considerada bociogênica e também geradora de radicais livres?





SWITHERS, S.E.; DAVIDSON, T.L. A role for sweet taste: calorie predictive relations in energy regulation by rats. Behav Neurosci; 122(1):161-73, 2008.