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06/02/2012

Benefícios do Mirtilo na Resistência à Insulina e Inflamação


 Muitas vezes consumimos certos alimentos e não nos damos conta dos efeitos benéficos que eles podem nos trazer. As “berries” são frutas com excelentes propriedades benéficas e têm em comum o elevado conteúdo de antioxidantes como os flavonóides e as antocianinas, que são pigmentos responsáveis por uma variedade de cores atrativas de frutas, flores e folhas, que variam do vermelho ao azul, e apresentam ação antiinflamatória e imunomoduladora. Exemplo de fontes vegetais ricas em antocianinas: mirtilo, romã, amora, uva, framboesa, açaí, repolho roxo, cebola roxa, alface roxa.

Estudo de 2009 mostrou o efeito benéfico do mirtilo (blueberry) na diminuição da resistência à insulina e inflamação dos adipócitos. O termo resistência à insulina refere-se a uma reduzida sensibilidade tecidual à ação da insulina, gerando importantes complicações metabólicas. O pâncreas secreta quantidades cada vez maiores de insulina, resultando em hiperinsulinemia. A inflamação do tecido adiposo também promove resistência à insulina e outras complicações da obesidade. O estudo foi feito com ratos mantidos por 8 semanas com 3 tipos de dietas: LFD (dieta com 10% de gordura); HFD (dieta com 60% de gordura) e HFD+B (dieta 60% gordura + Mirtilo).

A figura abaixo mostra que os animais HFD+B apresentaram menor resistência à insulina quando comparado com os animais que receberam a mesma dieta (HFD), porém sem a suplementação de mirtilo.

Já esta figura (está pequena!!) mostra o corte histológico do adipócitos com as diferentes dietas. Nota-se que na figura C, a presença de macrófagos adipocitários esteve reduzida com a introdução de mirtilo na dieta, mostrando seu efeito benéfico.


Os resultados confirmam a correlação positiva da obesidade induzida pela RI e a morte dos adipócitos e sugere ação citoprotetora e antiinflamatória do mirtilo.

Quanto mais variada a alimentação, mais benefícios alcançamos com os diferentes nutrientes consumidos. Já é possível encontrar frutas vermelhas e roxas com facilidades nos supermercados e feiras. As frutas frescas são as melhores opções, principalmente se forem frutas da época. Mas dependendo do local e da época do ano, vale a pena comprar as congeladas também. O artigo pode ser baixado em PDF para melhor visualização das figuras. 
Aqui vai uma fotinha que fiz hoje! 

19/01/2012

Conhece a Semente de Chia?


Recentemente divulgada no Brasil, essa sementinha tem ganhado bastante atenção e espaço na mídia. Também chamada de Sálvia Hispânica, por se originária da região andina do México e da Guatemala, era muito consumida pelos povos Maias em tempos de guerras, por isso o nome Chia, que significa “força”. Além da energia e resistência que proporcionava, a semente era muito valorizada e tratada como moeda por esses povos.

E quais os benefícios que ela pode nos trazer? A semente é bastante valorizada nutricionalmente não só pela quantidade de fibras e de ácidos graxos ômega-3 (ALA e EPA), mas também pela presença de antioxidantes, aminoácidos (isoleucina, leucina, valina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina e triptofano), minerais como cálcio, ferro, fósforo, magnésio e zinco, além das vitaminas A, C, E, B1, B2, B3 e B12.

Por toda sua qualidade nutricional é excelente aliada no tratamento de dislipidemias, problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas hormonais, câncer e melhora do desempenho físico. Poucos estudos mostram efeitos na perda de peso. 

Estudo realizado em ratos recebendo sacarose e tratados com semente de chia, rica em ácido graxo alfa-linolênico (ALA) e fibras, evidenciou melhora na adiposidade visceral e normalização nos níveis de triacilgliceról. Além disso, apesar de não haver alteração nos níveis de glicose sanguínea, foi observado melhora na resistência à insulina nos animais dislipidêmicos.      

As sementes são pequenas e podem ter coloração variada (preta, cinza, marrom escura ou branca). Muitos até a consideram parecida com a semente de linhaça, seja nas propriedades nutricionais, seja no tamanho. A semente de chia apresenta maior concentração de antioxidantes que a linhaça, por isso ela é mais estável e resistente a oxidação. Por ser tão pequena é aconselhado usá-la triturada ou deixá-la de molho num copo com água. Logo que a semente é hidratada é possível observar que forma-se uma camada gelatinosa ao seu redor e ela cresce no tamanho. É até mais fácil de mastigá-la ou batê-la no liquidificador. Esse colóide gelatinoso hidrofílico formado pode atuar promovendo uma conversão mais lenta de carboidratos em açúcar, auxiliando no controle da glicemia e promovendo saciedade.

Pode ser usada batida nos sucos com frutas e em sopas. Também é ótima substituta do ovo em receitas, nos casos de alergias alimentares. Para cada ovo, recomenda-se usar 1 colher de sopa da semente dissolvida em ¼ de água. Outra indicação bastante interessante é usar a farinha de chia em preparações de pães sem glúten. A semente tem capacidade de proporcionar maciez ao alimento devido seu poder aglutinante. A foto abaixo (não muito boa!) mostra a semente de chia logo que foi colocada de molho na água e minutos depois, já hidratada. 


Sendo assim, a chia pode ser vista como mais um coadjuvante na busca por uma boa saúde e não um alimento único e milagroso capaz de promover benefícios. Os hábitos alimentares e o estilo de vida ainda contribuem para o bem estar geral. 





18/10/2011

Benefícios da Cúrcuma

A planta, bastante cultivada nos países Asiáticos como Índia e China, é muito utilizada no mercado têxtil, medicinal, farmacêutico, condimentar e alimentício. No Brasil é conhecida como açafrão-da-terra, açafrão-da-índia ou gengibre amarelo.

Seu componente principal é a curcumina, corante amarelo, com característica lipossolúvel; porém apresenta outras substâncias ativas como os terpenóides, alcalóides e flavonóides.

O interesse por essa planta, muito utilizada como especiaria e tempero culinário, vem crescendo bastante, devido às suas propriedades benéficas.

Algumas atividades da curcumina

  • Antioxidante: ação contra a peroxidação lipídica e manutenção dos níveis de enzimas antioxidantes como a SOD, catalase, e GSH-Px;
  • Anti-inflamatória: pela via de inibição da expressão do NF-ĸB com redução da expressão de mediadores pró-inflamatórios (IL-1ß, IL-6, IL-12; TNF-ɑ; IFN-γ e PCR) e inibição da COX-2 e LOX.
  • Antidepressiva: ação na modulação dos neurotransmissores dopamina e serotonina;
  • Antitumoral: inibição da etapa de iniciação da célula cancerígena e supressão da proliferação de células malignas;
  • Ação cicatrizante: otimização da formação de colágeno e fibroblastos;
  • Antiangiogênica: efeito supressor da angiogênese no tecido adiposo com ação na redução do peso e gordura corporal;
  • Ação na sensibilidade à insulina: pela via de inibição da expressão do NF-ĸB e redução da presença de eicosanóides pró-inflamatórios.
  • Melhora da performance em atletas: ação na regeneração muscular pós trauma, pelos efeitos anti-inflamatório e antioxidante, com ação na redução das citocinas pró-inflamatórias.

Esse artigo de 2006, com boas ilustrações, mostra a ação benéfica da curcumina na prevenção do câncer e inibição das vias pró-inflamatórias.